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Minha miséria, tua misericórdia
Das Orações Meditativas de São Guilherme de Saint-Thierry (1085-1148), Abade cisterciense.
Pobre de mim, a consciência acusa-me sem cessar, e a verdade não pode desculpar-me dizendo: ele não sabia o que fazia.
Perdoa, pois, Senhor, pelo preço do Teu precioso sangue, todos os pecados em que caí, consciente ou inconscientemente. Sim, Senhor, pequei verdadeiramente, pequei por minha vontade, e pequei muito. Depois de ter tido conhecimento da verdade, ofendi o Espírito de graça; e contudo, quando do meu batismo, o Espírito tinha-me concedido de forma gratuita a remissão dos pecados. Mas eu, depois de ter tido conhecimento da verdade, voltei aos meus pecados, «como o cão volta ao seu vômito» (2Pd 2,22).
Ó Filho de Deus, pisei-Te aos pés, negando-Te? Mas não posso dizer que, ao negar-Te, Pedro Te tenha pisado aos pés, ele que amava tão ardentemente, embora Te tenha negado uma primeira vez, uma segunda e uma terceira vez.
Também a mim Satanás me reclamou por vezes a fé, para me joeirar como o trigo; mas a Tua oração desceu sobre mim, de maneira que a minha fé nunca desfaleceu (Lc 22,31-32), nunca Te abandonou. Bem sabes que sempre quis aderir à fé em Ti; protege-me, pois, nesta vontade, até ao fim.
Sempre acreditei em Ti, sempre Te amei, mesmo quando pequei contra Ti. Lamento profundamente os meus pecados. Do amor, porém, lamento apenas não ter amado tanto como devia.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 13h29
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Leituras para o XXX Domingo Comum - A
Leitura do Livro do Êxodo (Êx 22,20-26)
Assim diz o Senhor: 20Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito.
21Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. 22Se os maltratardes, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor. 23Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas e órfãos os vossos filhos.
24Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário, dele cobrando juros.
25Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr-do-sol. 26Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir. Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.
Salmo responsorial (Sl 17)
Eu vos amo, ó Senhor,
sois minha força e salvação.
Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força,
minha rocha, meu refúgio e Salvador!
Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,
minha força e poderosa salvação.
Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,
sois meu escudo e proteção: em vós espero!
Invocarei o meu Senhor: a ele a glória!
E dos meus perseguidores serei salvo!
Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo!
E louvado seja Deus, meu Salvador!
Concedeis ao vosso rei grandes vitórias
e mostrais misericórdia ao vosso Ungido.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1Ts 1,5c-10)
Irmãos: 5cSabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem. 6E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7Assim vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia.
8Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos falar, 9pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes e como vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, 10esperando dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra do castigo que está por vir.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Jo 14,23)
Se alguém me ama guardará minha Palavra,
e o meu Pai o amará
e a Ele nós viremos.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 22,34-40)
Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”
37Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.
Escrito por Pe. Henrique às 13h15
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Estudo bíblico-catequético para o XXX Domingo Comum - A
1. Releia atentamente a primeira leitura.
è Observe como o amor sincero e a adoração verdadeira a Deus exigem a abertura de coração e a retidão em relação ao próximo.
è Veja nos vv .22 e 23 como o Senhor toma as dores do pobre e do aflito.
è Note nos vv. 24 e 25 como Deus não se contenta com a simples justiça, aplicada como lei dura e impessoal. Acima da lei está a pessoa, a misericórdia, a compaixão.
è No fim das contas, Deus espera que nós o imitemos: “Sou misericordioso”.
è Uma coisa é carta: para a Sagrada Escritura não basta afirmar e crer que só há um Deus; é necessário viver colocando somente Deus no lugar de Deus: o dinheiro não é Deus, o poder não é Deus. Por amor de Deus é necessário exercer a misericórdia para com o próximo.
è Leia com atenção Lv 19,9-18. Observe aí como o Senhor obriga o seu povo ao amor e à compaixão para com os mais fracos. Disso depende crer ou não em Deus: “Fará isto porque eu sou o Senhor!”
è Agora pense bem: a maior garantia do respeito aos direitos humanos, da atenção para com a dignidade humana está na abertura de coração para Deus e seus mandamentos. Quando o homem se fecha para Deus ele perde, de um modo ou de outro, o sentido profundo da dignidade humana. O homem é imagem de Deus e deve ser sempre reverenciado e honrado. Deus é o seu defensor, sobretudo daquele que não tem vez nem voz.
è Lembre-se, cristão: honre o seu próximo, seja justo nos seus negócios, tenha misericórdia dos fracos, pequenos e desamparados, pois eles são amados pelo Senhor, que um dia pedirá contas de nossa atitude para com eles!
è Para terminar, leia as duríssimas advertências das Escrituras Sagradas: Is 1,10-31; 3,13-25; Am 5,18-24.
è Pense nos pobres deste mundo e reze, em nome deles e com um coração de pobre o Salmo da Missa de hoje.
2. Vamos à segunda leitura:
è É a continuação da Epístola que começou a ser lida no Domingo passado.
è Observe uma bela marca do verdadeiro apóstolo: sua vida, seu comportamento é um exemplo, um Evangelho vivo para o rebanho. Leia o v. 5.
è Por isso mesmo, o rebanho deve imitar o comportamento do pastor, que, por sua vez, deve ser um imitador de Cristo. Leia o v. 6.
è São Paulo alude também ao dever que os cristãos têm de ser modelo para os demais. Leia o v. 7.
è Note como o bom comportamento de uma comunidade cristã é a maior força para a divulgação do Evangelho. Leia o v. 8. Pense um pouco na sua comunidade e na sua paróquia; pense na sua família cristã e no seu comportamento entre os amigos. O comportamento seu nesses grupos é um testemunho de Cristo, difundindo o seu bom odor?
è Observe nos vv. 9-10 a bela dinâmica da vida cristã: (a) converter-se o tempo todo dos ídolos para o Deus vivo e verdadeiro e (b) viver na firme esperança do encontro com o Senhor Jesus que vem, ressuscitado dos mortos, para nos dar a salvação consumada e plena.
è Agora pense: De que ídolos você precisa liberta-se? Que falsos deuses você precisa abandonar para servir ao Deus vivo e verdadeiro?
è Pense um pouco: Quem de verdade espera a salvação que vem do Senhor, quem realmente leva a sério que o Senhor haverá de nos julgar e salvar, vive esta vida com responsabilidade e santo temor, evitando tudo quanto dele nos possa afastar...
3. E agora, o Evangelho:
è A Lei de Moisés contém 613 preceitos. Os mestres judeus tinham o costume de procurar resumi-la num preceito só, tão simples e curto que pudesse ser repetido por uma pessoa apoiando-se num pé só.
è É isto que pedem ao Rabi Jesus: que dê o seu resumo da Lei.
è Qual é o resumo da Lei de Moisés, segundo Jesus? Leia os vv. 37-40. Observe que o que Jesus diz (amar ao próximo como a si mesmo) não é uma novidade; o judeu piedoso deveria cumprir isso. Leia na Lei de Moisés Lv 19,18.
è No entanto, Jesus dá aos cristãos um novo mandamento. Este, ele somente poderia dar no final da sua vida, antes de ser entregue à morte por amor. Que mandamento é esse, novo, que resume e leva à plenitude toda a Lei de Moisés e é o distintivo do cristão? Leia Jo 13,34-35.
è Observe bem: para um cristão, a medida e o critério de todo amor é o próprio Jesus. Somente olhando Jesus o cristão encontra forças e motivos para amar desinteressadamente. Leia 1Pd 2,19-25.
4. Medite nas seguintes palavras do Catecismo da Igreja sobre o amor a Deus:
2086. Quando se fala de Deus, fala-se de um ser constante, imutável, sempre o mesmo, fiel, perfeitamente justo. Daí decorre que nós devemos necessariamente aceitar suas palavras e ter nele uma fé e uma confiança plenas. Ele é Todo-Poderoso, clemente, infinitamente inclinado a fazer o bem. Quem poderia deixar de pôr nele todas as suas esperanças? E quem poderia deixar de amá-lo, contemplando os tesouros de bondade e de ternura que Ele derramou sobre nós? Daí esta fórmula que Deus emprega na Sagrada Escritura, quer no começo, quer no fim de seus preceitos: 'Eu sou o Senhor'."
2087. Nossa vida moral encontra sua fonte na fé em Deus, que nos revela seu amor. S. Paulo fala da "obediência da fé" como da primeira obrigação. Ele vê no "desconhecimento de Deus" o princípio e a explicação de todos os desvios morais. Nosso dever em relação a Deus consiste em crer nele e em dar testemunho dele.
2088. O primeiro mandamento manda-nos alimentar e guardar com prudência e vigilância nossa fé e rejeitar tudo o que se lhe opõe. Há diversas maneiras de pecar contra a fé.
A dúvida voluntária sobre a fé negligencia ou recusa ter como verdadeiro o que Deus revelou e que a Igreja propõe para crer. A dúvida involuntária designa a hesitação em crer, a dificuldade de superar as objeções ligadas à fé ou, ainda, a ansiedade suscitada pela obscuridade da fé. Se for deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito.
Escrito por Pe. Henrique às 13h14
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A paz que Cristo pode dar
Do Comentário ao Evangelho de Lucas, por Dionísio, o Cartuxo (1402-1471), monge.
Pensais que vim trazer a paz ao mundo?» É como se Cristo dissesse: «Não penseis que vim dar aos homens a paz segundo a carne e segundo este mundo, uma paz sem regras, que lhes permitisse viver em harmonia no mal, e lhes garantisse a prosperidade neste mundo.
Não, digo-vos, não vim trazer uma paz deste gênero, mas a divisão, uma boa e salutar separação entre os espíritos e mesmo entre os corpos. Assim, porque amam a Deus e procuram a paz interior, aqueles que acreditam em Mim estarão naturalmente em desacordo com os maus; separar-se-ão daqueles que tentam desviá-los do progresso espiritual e da pureza do amor divino, ou que se esforçam por lhes criar dificuldades.»
Assim, pois, a paz espiritual, a paz interior, a paz boa é a tranquilidade da alma em Deus, e a boa harmonia segundo a justiça. Foi esta paz que Cristo veio trazer. [...] A paz interior, que tem origem no amor, consiste numa alegria inalterável da alma que se encontra em Deus. Chamamos-lhe paz do coração. É ela o começo e um certo antegozo da paz dos santos que se encontram na pátria, da paz da eternidade.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h23
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A moeda do tesouro divino
Das Homilias de São Lourenço de Bríndisi, presbítero que viveu entre os séculos XVI e XVII.
No Evangelho de hoje, encontramos duas perguntas; uma dos fariseus a Cristo, outra de Cristo aos fariseus. A primeira é totalmente terrena, a segunda totalmente celeste e divina. Uma procede da suma ignorância; a outra, da máxima sabedoria e bondade. “De quem é esta figura e a inscrição?”, perguntou ele. “De César”, responderam. Ele então lhes disse: “Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22,20-21).
A cada um – respondeu Jesus – o que lhe é devido. Sentença cheia de sabedoria celeste e divina doutrina. Ensina-nos que há dois tipos de poder: um terreno e humano, outro celeste e divino. E requer-se de nós uma dupla obediência: às leis humanas e às divinas, devendo-se pagar dois tributos: um a César, outro a Deus. A César devemos dar a moeda que traz sua efígie e inscrição. A Deus, aquilo em que está impressa a imagem e semelhança divinas. Sobre nós, Senhor, fazei brilhar o esplendor de vossa face! (Sl 4,7).
Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Tu, cristão, sendo homem, és moeda do tesouro divino, és o denário que traz impressa a imagem e a inscrição do rei divino. Com Cristo, eu te pergunto: De quem é esta figura e a inscrição? Tu respondes: De Deus. Por que então não dás a Deus o que é de Deus?
Se queremos ser imagem de Deus, devemos ser semelhantes a Cristo, porque ele é a imagem da bondade de Deus e forma de sua substância. Deus, aos que conheceu desde sempre, também os predestinou a se configurarem com a imagem de seu Filho (Rm 8,29). Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus, porque observou com perfeição as duas tábuas da lei divina, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz! (Fl 2,9). E foi adornado, no mais alto grau, com todas as virtudes interiores e exteriores.
Manifesta-se hoje, em Cristo, extrema prudência, graças à qual escapa, por resposta tão sábia e prudente, às ciladas dos inimigos. Manifesta-se também a justiça com que ensina a dar a cada um o que lhe é devido, o que o leva a pagar o tributo por si e por Pedro. Manifesta-se a coragem com que ensina abertamente deverem ser pagos os tributos a César, sem medo dos judeus que de má vontade o toleravam. Este é o caminho de Deus, que Cristo ensinou com toda franqueza.

Portanto, quem é semelhante e configurado a Cristo na vida, nos costumes e nas virtudes, manifesta verdadeiramente a imagem de Deus. E o pleno esplendor desta imagem divina consiste em uma justiça perfeita: Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus. A cada um o que lhe é devido.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 00h14
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A medida que vos é dada...
Dos Sermões de São Fulgêncio de Ruspe (476-532), bispo:

Para definir o papel dos servos que colocou à cabeça do seu povo, o Senhor diz esta palavra que o Evangelho nos transmite: "Qual é o administrador prudente e fiel que o senhor estabelecerá sobre o seu pessoal para lhe dar a seu tempo a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando voltar, encontrar procedendo assim"... Se nos perguntarmos que medida de trigo é esta, S. Paulo no-lo indica; é "a medida de fé que Deus vos repartiu" (Rm 12,3).
Aquilo a que Cristo chama medida de trigo, Paulo chama medida de fé para nos ensinar que não há outra medida de trigo espiritual senão o mistério da fé cristã. Essa medida de trigo, nós vo-la damos em nome do Senhor toda a vez que, iluminados pelo dom espiritual da graça, vos falamos segundo a regra da verdadeira fé. Essa medida, recebei-la vós dos administradores do Senhor todo o dia em que ouvis da boca dos servos de Deus a palavra da verdade.
Que ela seja o nosso alimento, essa medida de trigo que Deus nos faz partilhar. Colhamos nela o sustento para a forma como nos conduzimos, a fim de obtermos a recompensa da vida eterna. Acreditemos naquele que se dá a si mesmo a cada um de nós para que não desfaleçamos no caminho (Mt 15,32) e que se reserva como nossa recompensa para que encontremos a alegria na pátria eterna. Acreditemos e esperemos nele; amemo-lo acima de tudo e em tudo. Porque Cristo é o nosso alimento e será a nossa recompensa. Cristo é o sustento e o reconforto dos viajantes que caminham; é a satisfação e a exaltação dos bem-aventurados que chegam ao seu repouso.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 19h42
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"Sois a plantação de Deus..."
Das homilias de São Basílio Magno (330-379), monge e Metropolita de Cesaréia, na Capadócia, doutor da Igreja:
O Senhor está permanentemente comparando a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5,1), «Plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt, 21,33).
É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a Sua vinha, foi a ela que cercou, como se fosse uma sebe, com a segurança que proporcionam os Seus mandamentos e a proteção dos Seus anjos, porque «o anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que O temem» (Sl 33,8). Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1Cor 12,28).

Por outro lado, através dos exemplos dos homens santos de outrora, eleva-nos os pensamentos, não os deixando cair por terra, aonde mereciam ser pisados. Deseja que os abraços da caridade, quais sarmentos de uma vinha, nos liguem ao nosso próximo e nos levem a repousar Nele. Assim, mantendo permanentemente o impulso em direção aos céus, elevar-nos-emos como vinhas trepadeiras, até aos mais altos cumes.
O Senhor pede-nos também que consintamos em ser podados. Ora, uma alma é podada quando afasta para longe de si os cuidados do mundo, que são um fardo para o nosso coração. Assim, aquele que afasta de si mesmo o amor carnal e a ligação às riquezas, ou que tem por detestável e desprezível a paixão pela miserável vanglória, foi, por assim dizer, podado, e voltou a respirar, liberto do fardo inútil das preocupações deste mundo.
Mas – e mantendo ainda a linha da parábola – não podemos produzir apenas lenha, ou seja, viver com ostentação, ou procurar os louvores dos de fora. Temos de dar fruto, reservando as nossas obras para as mostrarmos ao verdadeiro agricultor (Jo 15,1).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 23h57
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Quanto amor à Igreja, lá e cá...
Caro Internauta, veja só o que apareceu em www.acidigital.com. Como somos amados pelos politicamente corretos!
Durante as manifestações contra e a favor da presença do navio abortista da organização holandesa "Women on Waves" em Valência (Espanha), as organizações feministas fizeram um convite aberto a queimar templos católicos, distribuindo fósforos entre seus seguidores.
A presença do "navio da morte" em Valência na semana passada suscitou uma das mais importantes manifestações a favor da vida na cidade. A presença do navio, que recolhe mulheres e as leva a águas internacionais para realizar abortos químicos segundo as liberais leis holandesas, esteve acompanhada diariamente por manifestações a favor da vida.
No sábado, 18 de outubro, um grupo de 40 feministas se reuniu para rebater a manifestação pró-vida, quatro vezes mais numerosa. Durante o protesto na Estação do Norte, as feministas distribuíram caixas de fósforos com a imagem de uma igreja ardendo no anverso e o seguinte texto no reverso: "a única igreja que ilumina é a que arde contribua!"
 Querem queimar as igrejas como queimam os fetos...
No domingo, 19, as feministas começaram a distribuir as mesmas caixas, mas decidiram retirar-se ante a maciça manifestação a favor da vida frente às docas onde se encontra o navio.
Enquanto isso, veja este outro texto do mesmo site:
Apesar da oposição da Arquidiocese de São Paulo, um polêmico grupo de sacerdotes brasileiros auto-proclamado “Fórum de Católicos pela Justiça” distribuiu durante o fim de semana milhares de folhetos apoiando a candidatura de Marta Suplicy, conhecida abortista e promotora das uniões homossexuais, à prefeitura de São Paulo.
Conforme informou a imprensa local, o grupo é liderado pelos presbíteros Tarcísio Marques Mesquita e Júlio Lancelotti, quem tem pendente uma acusação de pedofilia.
Os presbíteros – vinculados pela imprensa a distintas pastorais sociais – emitiram um texto denominado “Carta aos Cristãos” no que se propõem “desterrar os preconceitos dos fiéis” para com os políticos que defendem o aborto e as uniões entre pessoas do mesmo sexo.
"Nós não escolhemos candidatos por sua cor de cabelo ou por se deseja usar bótox ou se discutem as opções sexuais", disse o Padre Tarcisio Marques Mesquita. "O que estamos discutindo aqui são os interesses da cidade de São Paulo", argüiu.
Segundo o Movimento para a Defesa da Vida, o polêmico folheto não menciona que a candidata Suplicy, junto com o Governo do presidente Lula, tem uma história de alianças com interesses estrangeiros para financiar a difusão do aborto no Brasil, inclusive contra a opinião de virtualmente toda a população.
 Marta: moral claramente anti-cristã, como a dos padres que a apóiam...
Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 23h34
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O show da vida
O Brasil assistiu, apreensivo, ao drama da jovem Eloá e sua amiga, feitas reféns pelo seu tresloucado namorado. Para além da comoção, tão ao gosto da sensibilidade dos brasileiros, situações assim devem nos fazer refletir sobre o mundo que estamos construindo... Assim, neste espaço apresento alguns tópicos para você, prezado Leitor meu, pensar...
1. Nossa sociedade atravessa uma profunda crise que tem como motivo mais profundo uma tremenda falta de valores. Quantos – sobretudo jovens – já não sabem mais o motivo fundamental da existência e já não conseguem individuar uma razão que dê razão à vida. Vive-se do dia-a-dia, do imediato, dessa ou daquela experiência, dessa ou daquela emoção, desse ou daquele imediato e limitado projeto. Mas, o sentido mesmo da existência, esse já não se sabe nem se procura. E quando a vida é só isso, um emaranhado de vivências miúdas e desconexas, quando já não se tem valores maiores pelos quais viver e nortear a existência, então pode-se esperar tudo de pior dos seres humanos.
2. O motivo fundamental da crise de valores é a falta de Deus no horizonte de nossa sociedade. É verdade que o brasileiro é um dos povos mais religiosos do mundo ocidental. No entanto, trata-se de uma religiosidade muito sentimental, chegando às raias do irracional; uma religiosidade cega e fortemente tendente à superstição. Vivência assim não ilumina a vida, não transforma a existência, não dirige o caminho. No Brasil, falamos muito em Deus, mas não se sabe bem de que “deus” falamos... Ora, sem Deus – o Deus de Jesus Cristo, vivido na vida da Igreja e experimentado na oração, na convivência fraterna e na vida sacramental, o Deus que plasma nossas ações e nossa vida moral -, já não se tem um critério claro para o certo e o errado, já não mais se sabe com precisão o limite entre o permitido e o proibido. Matando-se Deus no coração humano e da sociedade mata-se o próprio homem, que se torna desumano e portador de desumanização.
3. Longe de Deus, virando as costas para uma vivência realmente cristã, nossa sociedade vai se tornando presa de uma cultura de violência de exaltação da força e do gosto irresponsável pela aventura. Vai também se tornando a cultura da deseducação afetiva (como é possível que nossos jovens tão cedo na vida se envolvam afetivamente em namoros e relações sentimentais e sexuais precoces e prematuras?). Nosso governo limita-se a propagar a camisinha, mas não se preocupa em educar para o amor, para o compromisso, para uma afetividade vivida a partir de valores perenes. Os próprios pais tornam-se os grande omissos, ausentes na formação afetiva dos filhos, deixando-os entregues à própria sorte, tendo o mundo cão como escola e mestre... Hoje tudo é permitido, tudo é possível, tudo é aceitável em relação a sexo, namoro, afetividade...
4. Finalmente, a terrível marca do pecado, daquele desequilíbrio que nosso fechamento para Deus deixou no coração humano. Temos tendências e sentimentos tremendos e desencontrados; somos capazes do melhor, mas também do pior, somos um poço de contradições. Somente Cristo nos liberta de nós mesmos, fazendo-nos passar de nós do nosso jeito deformado para nós do jeito dele, libertados e transfigurados para Deus.
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 18h21
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Somos habitação de Deus
Das Homilias de São Macário, Abade (século IV), monge copta do Egito:
O Senhor instala-Se numa alma fervorosa, faz dela o Seu trono de glória, toma assento nela e nela permanece.
Esta casa onde habita o seu mestre é toda graça, ordem e beleza, assim como a alma com quem o Senhor permanece é toda ordem e beleza. Ela possui o Senhor e todos os Seus tesouros espirituais. Ele habita nela, e nela domina.
Que terrível, porém, é a casa de onde o Senhor está ausente, longe da qual o Senhor se encontra! Esta casa deteriora-se, arruína-se, enche-se de manchas e de desordem, tornando-se, na palavra do profeta, lugar de reunião de serpentes e de sátiros, casa abandonada que se enche de gatos selvagens, de hienas e de cardos (cf. Is 35,11-15).
Infeliz da alma que não consegue levantar-se de queda tão funesta, que se deixa prender e acaba por odiar o Esposo e por desviar os seus pensamentos de Jesus Cristo!
Mas quando o Senhor a vê recolher-se e procurar, noite e dia, o seu Senhor, chamá-lo como Ele mesmo a convida a fazer - «Orai sem desfalecer» -, então «Deus far-lhe-á justiça» (Lc 18,1-7), como prometeu, e purificá-la-á de todo o mal, fazendo dela uma esposa «sem mancha nem ruga» (Ef 5, 27).
Crê, pois, na Sua promessa, que é a verdade. Verifica se a tua alma encontrou a luz que lhe iluminará os passos, bem como o alimento e a bebida verdadeiros, que são o Senhor. Ainda os não tens? Procura noite e dia, e encontrá-los-ás.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 17h12
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Vigiar diante do Senhor
Dos Discursos Ascéticos de Santo Isaac, o Sírio (séc. VII), monge em Nínive, no atual Iraque:
A oração que se oferece durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se oferece durante o dia. É por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a doçura do sono e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: "Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o meu leito com as minhas lágrimas" (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo numa oração apaixonada. E, noutro passo: "Levanto-me a meio da noite para te louvar por causa das tuas sentenças, tu que és o Justo" (Sl 118,62). Para cada um dos pedidos que os santos queriam dirigir a Deus com todas as suas forças, eles armavam-se com a oração noturna e imediatamente recebiam o que pediam.

O próprio Satanás nada receia tanto como a oração que se oferece durante as vigílias. Mesmo se são acompanhadas de distrações, não ficam sem fruto, a menos que se peça o que não convém. É por isso que ele trava sérios combates contra os que velam, a fim de os afastar quanto possível dessa prática, sobretudo se se mostram perseverantes. Mas os que se fortaleceram um pouco que seja contra as suas manhas perniciosas e saborearam os dons que Deus concede durante as vigílias e experimentaram pessoalmente a grandeza da ajuda que Deus lhes dá, desprezam-no completamente, a ele e a todos os seus estratagemas.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 16h57
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Pio XII, amigo dos judeus
Veja, caro Leitor meu: apareceu em www.zenit.org:
No livro “Pio XII. Un uomo sul trono di Pietro”, da Editora Mondadori, Andrea Tornielli relata a história de Guido Mendes, o amigo judeu do Papa Pacelli.
Tornielli, vaticanista do jornal italiano «Il Giornale», recorda que «nos anos do instituto, Eugenio fez uma forte amizade com alguns companheiros. A relação com um deles é especialmente interessante porque se trata de um jovem, Guido Mendes, pertencente à comunidade judaica de Roma».
Descendente de uma conhecida família de doutores e pesquisadores médicos que se remontava até o médico de corte de Carlos II da Inglaterra, um dia depois da morte de Pio XII, o Dr. Mendes, que então morava em Ramat Gan, Israel, contou ao jornal «Jerusalém Post», publicado em 10 de outubro de 1958, sobre a amizade que teve com ele desde os tempos do instituto «E.Q. Visconti» de Roma.
«Pacelli – escreveu Mendes – foi o primeiro Papa que compartilhou nos anos de juventude um jantar do Shabbat em uma casa judaica e que debateu informalmente sobre teologia judaica com eminentes membros da comunidade de Roma.»
Mendes relata que Eugenio ia com freqüência à sua casa e vice-versa, e que «trocavam seus interesses e suas idéias».
Recorda que, ainda vivendo em um período no qual o clima predominante era anti-clerical e adverso ao catolicismo, Pacelli estava sempre disposto a intervir em defesa da Igreja. O futuro Pio XII manifestava muito interesse pela religião judaica e perguntava a seu amigo se podia tomar emprestado da sua biblioteca um livro do rabino Ben Herzog.
No livro, Tornielli conta que «acabado o instituto, um se encaminhou para os estudos eclesiásticos e o outro, aos de medicina. Apesar disso, conseguiram se ver ainda e a profundidade de sua relação se manifestou em especial em 1938, quando Pacelli, secretário de Estado, prodigou-se em ajudar a família Mendes, afetada pelas leis anti-semitas promulgadas pelo governo fascista italiano».
«O cardeal obteve para eles a possibilidade de mudar-se para a Suíça, desde onde, no ano seguinte, se exilaram para a Palestina», escreve.
Após a guerra, Guido Mendes e Pio XII tiveram mais dois encontros, definidos pelo médico judeu como «muito cordiais», nos quais falaram, entre outras coisas, do estatuto da cidade de Jerusalém.
Mendes recordava que o Papa Pacelli, durante um encontro com um grupo de judeus sobreviventes dos campos de concentração, disse-lhes: «Dentro de pouco, tereis um Estado de Israel».
 Pio XII: o Papa justo injustiçado
Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 23h03
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A força do amor
Da obra “O Sacramento do Altar”, de Balduíno de Ford (século XII), abade cisterciense:

«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigênito» (Jo 3,16). Este Filho único «foi oferecido», não porque os seus inimigos tenham prevalecido, mas porque assim «aprouve ao Senhor» (Is 53,10-11). «Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo» (Jo 13,1). O fim, é a morte aceita em favor daqueles que Ele ama; eis o fim de toda a perfeição, o fim do amor perfeito, porque «ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13).
Este amor de Cristo foi mais poderoso na morte de Cristo do que o ódio dos seus inimigos; o ódio apenas pôde fazer o que o amor lhe permitia. Judas, ou os inimigos de Cristo, entregaram-No à morte, devido a um terrível ódio. O Pai entregou o seu Filho, e o Filho entregou-Se a Si mesmo por amor (Rm 8,32; Gl 2,20).
O amor não é, porém, culpado de traição; é inocente, mesmo quando Cristo morre por amor. Porque só o amor pode impunemente fazer o que lhe apraz. Só o amor pode forçar a Deus e, como Ele, guiar-nos. Foi o amor que O fez descer dos céus e O pôs na cruz, que fez jorrar o sangue de Cristo pela remissão dos pecados, num ato tão inocente quanto salutar. Qualquer ação de graças pela salvação do mundo é devida ao amor, portanto. E o amor incita-nos, numa lógica incômoda, a amar a Cristo, tanto quanto podíamos odiá-Lo.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 20h07
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Palavras de vida eterna
Dos escritos do Cardeal John Henry Newman (1801-1890), sacerdote e teólogo anglicano convertido ao catolicismo:
Boa é toda a palavra de Cristo: ela tem uma missão e finalidade, ela não cai por terra. É impossível que em alguma vez tenha pronunciado palavras efêmeras, Ele, o Verbo de Deus, que por seu próprio desejo exprimiu os conselhos profundos e a vontade santa do Deus invisível.
Toda a palavra de Cristo é boa. Mesmo se os seus propósitos tiverem sido transmitidos por pessoas comuns, podemos estar certos de que nada do que nos foi conservado – sejam palavras dirigidas a um discípulo ou a um opositor, sejam conselhos, ou opiniões, sejam reprimendas, ou palavras de consolação, de persuasão ou de condenação – nada, em todas elas, terá uma significação puramente acidental, um alcance limitado ou parcial...

Pelo contrário, todas as palavras sagradas de Cristo, mesmo quando nos surgem revestidas de uma aparência temporária e dirigidas a um fim imediato - sendo difíceis, portanto, porque há que nelas lograr perceber o que têm de momentâneo e de contingente - mesmo assim, elas nada perdem da sua força, a cada século que passa.
Pertencendo à Igreja, estão destinadas a durar para sempre nos céus (cf. Mt 24,35); prolongam-se até è eternidade. São a nossa regra santa, justa e boa, palavras que são «farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 118,105), na mesma plenitude e de forma tão íntima, no nosso tempo, como quando pela primeira vez foram pronunciadas.
Tudo isto terá sido verdadeiro, mesmo aceitando-se ter sido obra humana a recolha destas migalhas da mesa de Cristo. Mas temos uma certeza muito maior, porque as recebemos não dos homens, mas de Deus (cf. 1Ts 2,13). O Espírito Santo, que veio glorificar Cristo e dar aos evangelistas a inspiração da escrita, não nos traçou um Evangelho estéril.
Louvado seja por ter escolhido e salvo para nós palavras que deveriam ser particularmente úteis aos tempos vindouros, as palavras que podiam servir de lei à Igreja, para a fé, para a moral e para a disciplina. Não uma lei escrita em tábuas de pedra (cf. Ex 24,12), mas uma lei de fé e de amor, de espírito, e não de letras (Rm 7,6), uma lei para corações generosos que aceitam «viver da palavra», por mais modesta e humilde que seja, uma lei «que sai da boca de Deus» (Dt 8,3; Mt 4,4).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h16
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Em nós, a luz da tua face
Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua (1195-1231), franciscano, doutor da Igreja :
Tal como uma pequena moeda tem a imagem de César, assim a nossa alma é à imagem da Santíssima Trindade, segundo o que nos é dito no salmo: «a luz da tua face está impressa em nós, Senhor» (4,7 – na tradução da Septuaginta)... Senhor, a luz da tua face, quer dizer a luz da tua graça que determina em nós a tua imagem e nos torna semelhantes a ti, está gravada em nós, quer dizer, gravada na nossa razão, que é a maior força da nossa alma e que recebe essa luz como a cera recebe a marca de um selo.
A face de Deus é a nossa razão; porque, tal como alguém conhece o seu rosto, assim conhecemos Deus pelo espelho da razão. Mas esta razão foi deformada pelo pecado do homem, porque o pecado torna o homem antagônico a Deus. A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo diz aos Efésios: «renovai espiritualmente a vossa inteligência» (4,23). A luz de que nos fala este salmo é, pois, a graça, que restaura a imagem de Deus gravada na nossa natureza...
Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança. Pela memória, é semelhante ao Pai; pela inteligência, é semelhante ao Filho; pelo amor é semelhante ao Espírito Santo... Desde a criação, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26). Imagem no conhecimento da verdade; semelhança no amor à virtude. A luz da face de Deus é, pois, a graça que nos justifica e que nos revela de novo a imagem criada. Esta luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, como a imagem do imperador marca a moeda.
É por isso que o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César». Como se dissesse: Tal como dais a César a sua imagem, dai a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz do seu rosto.
 O Monte Sinai
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h30
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Ser rico para Deus e para os irmãos
Das Catequeses de São Basílio Magno (330-379), monge e bispo de Cesaréia da Capadócia, doutor da Igreja:

«Que hei de fazer? Vou aumentar os meus celeiros!» Por que eram as terras deste homem tão produtivas, se ele fazia tão mau uso da sua riqueza? É para mais intensamente se ver a manifestação da imensa bondade de um Deus que estende a sua graça a todos, «pois Ele faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5,45) ... Eram estes os benefícios de Deus para com este rico: uma terra fecunda, um clima temperado, abundantes colheitas, bois para o trabalho, e tudo que assegurasse a prosperidade. E ele, que dava em troca? Mau humor, taciturnidade e egoísmo. Era assim que agradecia ao seu benfeitor.
Esquecia que pertencemos todos à mesma natureza humana; não pensou que devia distribuir o que lhe sobrava aos pobres; não fez nenhum caso destes mandamentos divinos: «não negues um benefício a quem precisa dele, se estiver nas tuas mãos concedê-lo» (Pr 3,27), «não se afastem de ti a bondade e a fidelidade» (3,3), «partilha o teu pão com quem tem fome» (Is 58,7). Todos os profetas, todos os sábios lhe gritavam estes preceitos, mas ele fazia ouvidos de mercador. Os seus celeiros rachavam, muito pequenos para o trigo que lá se acumulava, mas o seu coração não estava satisfeito... Ele não queria desfazer-se de nada, mesmo não chegando a armazená-lo todo. Este problema incomodava-o: «Que hei de fazer?» perguntava constantemente. Quem não teria piedade de um homem assim obcecado? A abundância tornava-o infeliz...; ele lamentava-se tal e qual como os indigentes: «Que hei de fazer? Como alimentar-me, vestir-me?»...
Observa, homem, quem foi que te cumulou de dons. Reflete um pouco sobre ti próprio: Quem és tu? O que é que te foi confiado? De quem recebeste esse encargo? Porque foste tu o escolhido? Tu és servo do Deus bom; tu estás encarregado dos teus companheiros de serviço... «Que hei de fazer?» A resposta é simples: «Saciarei os famintos, convidarei os pobres... Vós todos, a quem falta o pão, vinde possuir os dons concedidos por Deus, que jorram como de uma fonte».

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h16
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Padres que não amam Cristo nem a Igreja
Caro Internauta, recebi o texto seguinte e coloco-o aqui porque é digno de nota. É uma tristeza muito grande que padres não liguem para questões morais e religiosas. A única questão que interessa a essa gente é ideológica: foi de esquerda é bom! Foi este o caldo que fez e faz muitos setores da Igreja do Brasil deixarem-se instrumentalizar pelo PT. A Igreja deveria manter-se neutra nas eleições de São Paulo. Uma coisa eu sei: Marta Suplicy jamais será digna do voto de um católico que preze sua fé e o Evangelho. Ela foi a pioneira na introdução de toda uma moral libertina e pagã no nosso País. Lembram do “Conversando sobre Sexo”, na Rede Globo? É ela a grande defensora do proojeto de lei para aprovar o casamento gay no Brasil; é ela a grande defensora do aborto no nosso País. A Sra. Marta Suplicy não preza o cristianismo nem a Igreja; simplesmente utiliza uma gente de Igreja (inclusive membros da hierarquia) que ama mais a ideologia que o Cristo e sua Igreja católica... É muito triste! Graças a Deus, a maioria dos católicos não segue esse tipo de padre que deseja usar os fiéis para fazer política...  Marta Suplicy na parada gay.
Por que deseja o voto dos católicos verdadeiros? Por que nos considera tolos? E nossa fidelidade a Cristo? O serviço de notícias "Situação da Defesa da Vida" (sdv@pesquisasedocumentos.com.br) acaba de divulgar o comunicado abaixo, segundo o qual religiosos da Região Belém da Arquidiocese de São Paulo, de comum acordo com a assessoria da presidência da República, elaboraram uma "Carta aos Cristãos" a ser distribuída nas missas deste domingo aos fiéis com a finalidade de "desmontar os preconceitos" da parte dos fiéis católicos que rejeitam a candidatura da sexóloga Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo em razão de seu já histórico trabalho de promoção da legalização do aborto e do casamento homossexual no Brasil. A texto abaixo é baseado em fontes confiáveis. Além da mensagem citar periódicos de primeira linha da imprensa brasileira, pessoas ligadas à Arquidiocese de São Paulo confirmaram que efetivamente sacerdotes reuniram-se na região Belém para tratarem deste assunto, conforme notificado pela imprensa. A candidata Marta Suplicy, juntamente com o governo do presidente Lula, é aliada das fundações internacionais que, através de uma rede de ONGs controladas por interesses estrangeiros, financiam a implantação do aborto no Brasil mesmo contra a opinião da quase totalidade de população, e uma das principais lideranças brasileiras na promoção da legalização deste crime. Não se concebe como sacerdotes da Igreja Católica estejam planejando em nome desta instituição "desmontar preconceitos de fiéis" que são na verdade fatos públicos e muito bem conhecidos por todos aqueles que acompanham as questões da defesa da vida, quando em vez disso deveriam divulgar o quanto a candidata esteve envolvida ao longo das últimas décadas com a promoção do que a esmagadora maioria da população brasileira considera com razão um homicídio.  É assim que o PT preza a Igreja: viva a cultura gay!
Amor à Igreja só na hora d e pedir voto. A Igreja é para ser manipulada...
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 12h01
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